Pontos de Vista
Metodologia Travessias - o primeiro suspiro ao despertar
Você já teve um sonho no qual tentava fugir mas era como se estivesse nadando contra uma correnteza? Exatamente aquele tipo de sonho que gera tanto desconforto que quando acordamos é como se pudéssemos respirar pela primeira vez em anos. Essa espécie de linha que nosso subconsciente parece seguir de vez quando é tão comum, que diversas pessoas relatam a experiência onírica de maneira semelhante, mas uma questão não é levantada diante dessa situação banal: Como seria sentir aquele suspiro, que damos ao acordar depois de finalmente conseguir fugir daquela correnteza, dentro do sonho?
Se olharmos para essa pergunta de uma outra perspectiva e considerarmos qual seria a sensação de alívio de escapar dessa correnteza, acordados, podemos identificar quais traços sutis da realidade que vivemos hoje nos remetem àquela angústia que não somos capazes de localizar as origens durante o sono. No contexto atual, o que se esconde atrás da pressa presente nos nossos cotidianos e do incentivo desmedido à produtividade, são estruturas muito antigas de dominação, hierarquização e exclusão, das quais a permanência conceitua a colonialidade.
Foi reconhecendo a necessidade urgente de reestruturação social que a ONG Pontos Diversos desenvolveu a Metodologia Travessias, que se compromete na mudança e transformação da sociedade, rejeitando o modelo de mundo que nos foi imposto. No entanto, a força dessa diretriz não se encontra na tentativa de domesticar o mundo colonial mas no trabalho para valorizar as potências que foram historicamente marginalizadas por esse sistema.
A organização destaca que esse processo de reinvenção é marcado por três movimentos: o sonho, a criação e o enraizamento.
O sonho é o que movimenta o corpo e acende o desejo. Aqui, o ato de sonhar incentiva que muitos que não percebam isso como um luxo que os fizeram acreditar que é. A resistência que o sonho oferece pode iniciar no presente o que se almeja para o futuro.
A criação é o tempo de construir caminhos. Quando os saberes se encontram, as memórias são compartilhadas, as verdades impostas podem ser desaprendidas e novas alternativas começam a surgir. Criar, nesse sentido, não significa apenas produzir algo novo, mas também abrir espaço para aquilo que foi silenciado, para aquilo que ainda não tem nome e para outras formas de interpretar a vida
O enraizamento é quando essa experiência ganha corpo no território, nas relações e nas práticas. É o momento em que a transformação deixa de ser apenas possibilidade e passa a produzir continuidade. Porque uma ação não se encerra no resultado que entrega: ela pode gerar vínculos, redes, novos sonhos e outras formas de organização da vida.
Essa circularidade é uma das bases da Metodologia Travessias. Em oposição a um modelo que organiza o conhecimento em linhas de produção, metas rígidas e respostas previamente determinadas, Travessias reconhece que os processos humanos acontecem em ciclos e em atravessamentos. O conhecimento não caminha apenas para frente. Ele retorna, revisita memórias, atualiza experiências e permite que a ancestralidade encontre novas formas de existir no presente.
Assim, a Metodologia Travessias trabalha para valorizar a ancestralidade, complexidade individual e dar oportunidade de criar uma nova realidade para quem nunca conseguiu sonhar.
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Pontos de Vista TONY GARRIDO 2 CONARH 2019
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